sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

 

RECENSÃO CRÍTICA " Digital Transformation of Teaching & Learning: A Human Centered Approach"

Coordenação de Rui Silva

 

1. Resumo

O vídeo resulta de uma exposição alargada sobre o conceito de transformação digital e das suas implicações no panorama educativo, nomeadamente no caso concreto do ensino superior, seguindo uma linha de orientação marcada pela importância e centralidade do ser humano neste processo de transformação. Coloca transformação digital como um processo contínuo com início em dados, que evoluem consecutivamente para informação, para conhecimento e, desejavelmente, para sabedoria.

Como apoio teórico, apresenta, essencialmente dois autores: 1) Alvin Toffler, colocando a informação como determinante do poder numa sociedade de informação, com base na curva da duplicação do conhecimento e com destaque para o conceito de “meia-vida do conhecimento” como introdução da questão da crescente obsolescência e desatualização do saber onde a transformação digital se destaca como a principal estratégia de adaptação da sociedade. 2) Manuel Castells, com a introdução do conceito de sociedade em rede, que destaca o papel estruturante das tecnologias de informação e comunicação na atual organização social, onde a transformação digital surge não apenas como um fenómeno tecnológico, mas sim como um processo sistémico e global de alterações (organizacionais, sociais e culturais).

No domínio do ensino superior, a transformação digital é apresentada como uma exigência estratégica para a competitividade e sustentabilidade das instituições e que no passado recente já foi bastante notada com a pandemia Covid-19.
A educação digital é alvo de destaque como integradora de modalidades como e-learning, m-learning e u-learning, associadas a novos conceitos como ecossistemas digitais e gémeos digitais. Estando o ser humano no centro da abordagem deste vídeo sobre a transformação digital, a tecnologia é apresentada como meio e não como fim, ou seja, a transformação digital é apresentada sob uma orientação com fortes princípios humanistas e pedagógicos.


2. Avaliação crítica

2.1 Pontos fortes

O vídeo tem muitos aspetos positivos. Um deles é a clareza conceptual que é usada para definir e abordar variados aspetos onde a sua definição e enquadramento se torna essencial para a perceção da transformação digital, como é exemplo de dados, informação, conhecimento e sabedoria.

Outro aspeto positivo, que atenua bastante a distância temporal das fontes teóricas que sustentam a apresentação e que acima foram referidas, é a sua articulação com questões emergentes e atuais.

Outro aspeto positivo, de merecido destaque, é centralidade da componente humana na abordagem à transformação digital no ensino superior, por oposição a muitas outras perspetivas cujo foco é, quase essencialmente, a tecnologia. O autor da verdadeira importância à tecnologia, mas como um meio e não como o fim em si.
Por fim, um outro aspeto muito positivo abordado e que muito contribui para uma boa compreensão destas matérias é a valorização das competências digitais e a, fundamental, literacia digital.


2.2 Pontos fracos

Como aspetos menos positivos no vídeo, surge a sua sustentação em trabalhos publicados no século passado (1980 e 1996), que não obstante qualidade e pertinência, certamente foram planeados e escritos num contexto muito diferente do atual.
Outro aspeto que constitui um ponto fraco deste vídeo, é ausência de fontes atuais, com trabalho empírico recente que permita sustentar várias das afirmações feitas, que não obstante serem bem acolhidas carecem desta robustez, que trabalho empírico ofereceria.
Com alguma relação com o aspeto anterior, faltarão também dados e casos concretos para melhor sustentar o conceito de transformação tecnológica que nos é apresentado, ou seja, de forma continua e dinâmica. Sendo continua e dinâmica, a forma como é apresentando não salienta estas caraterísticas.

Outro aspeto que deveria estar mais bem aprofundado, e necessário para uma análise holística da transformação digital no ensino superior, prende-se com os desafios estruturais a esta transformação nas instituições de ensino superior, como por exemplo a resistência à mudança e as desigualdades, diferentes caso a caso, no acesso às tecnologias.

3. Conclusão

O vídeo é muito interessante, como muitos aspetos positivos, que foram realçados e que se constitui como um contributo relevante para melhor compreender o que é e como se poderá operacional a transformação digital no ensino superior, nunca afastando o fator humano do centro deste processo. Este aspeto é um alerta muito relevante para a realidade atual, onde a tecnologia e toda a sua envolvente têm um papel central e um poder enorme, para que quando se planeia ensinar e aprender, este peso da tecnologia tem de recentrado pelo fator humano.

O vídeo apresenta uma ampla abordagem da transformação tecnologia no ensino superior, mas para ter uma robustez diferente, requereria uma parte empírica desenvolvida e atual bem como uma abordagem mais profundada aos constrangimentos institucionais.
No entanto, e como síntese final, o vídeo é muito interessante na forma como aborda a questão e é sem sombra de dúvidas uma boa base para investigações futuras sobre a, necessária, transformação digital no ensino superior, muito orientada para valores humanistas e pedagógicos.


Fontes do vídeo

Toffler, A. (1980). The third wave. William Morrow
Castells, M. (1996). The rise of the network society. Blackwell Publishing.

 

Equipa PI: Lara Ramos, Paula Coelho e Rui Silva

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