RECENSÃO CRÍTICA "
Digital Transformation
of Teaching & Learning: A Human Centered Approach"
Coordenação de Rui Silva
1.
Resumo
O
vídeo resulta de uma exposição alargada sobre o conceito de transformação
digital e das suas implicações no panorama educativo, nomeadamente no caso
concreto do ensino superior, seguindo uma linha de orientação marcada pela
importância e centralidade do ser humano neste processo de transformação.
Coloca transformação digital como um processo contínuo com início em dados, que
evoluem consecutivamente para informação, para conhecimento e, desejavelmente,
para sabedoria.
Como
apoio teórico, apresenta, essencialmente dois autores: 1) Alvin Toffler,
colocando a informação como determinante do poder numa sociedade de informação,
com base na curva da duplicação do conhecimento e com destaque para o conceito
de “meia-vida do conhecimento” como introdução da questão da crescente
obsolescência e desatualização do saber onde a transformação digital se destaca
como a principal estratégia de adaptação da sociedade. 2) Manuel Castells, com
a introdução do conceito de sociedade em rede, que destaca o papel estruturante
das tecnologias de informação e comunicação na atual organização social, onde a
transformação digital surge não apenas como um fenómeno tecnológico, mas sim
como um processo sistémico e global de alterações (organizacionais, sociais e
culturais).
No
domínio do ensino superior, a transformação digital é apresentada como uma
exigência estratégica para a competitividade e sustentabilidade das
instituições e que no passado recente já foi bastante notada com a pandemia
Covid-19.
A educação digital é alvo de destaque como integradora de modalidades como
e-learning, m-learning e u-learning, associadas a novos conceitos como
ecossistemas digitais e gémeos digitais. Estando o ser humano no centro da
abordagem deste vídeo sobre a transformação digital, a tecnologia é apresentada
como meio e não como fim, ou seja, a transformação digital é apresentada sob
uma orientação com fortes princípios humanistas e pedagógicos.
2. Avaliação crítica
2.1
Pontos fortes
O
vídeo tem muitos aspetos positivos. Um deles é a clareza conceptual que é usada
para definir e abordar variados aspetos onde a sua definição e enquadramento se
torna essencial para a perceção da transformação digital, como é exemplo de
dados, informação, conhecimento e sabedoria.
Outro
aspeto positivo, que atenua bastante a distância temporal das fontes teóricas
que sustentam a apresentação e que acima foram referidas, é a sua articulação
com questões emergentes e atuais.
Outro
aspeto positivo, de merecido destaque, é centralidade da componente humana na
abordagem à transformação digital no ensino superior, por oposição a muitas
outras perspetivas cujo foco é, quase essencialmente, a tecnologia. O autor da
verdadeira importância à tecnologia, mas como um meio e não como o fim em si.
Por fim, um outro aspeto muito positivo abordado e que muito contribui para uma
boa compreensão destas matérias é a valorização das competências digitais e a,
fundamental, literacia digital.
2.2 Pontos fracos
Como
aspetos menos positivos no vídeo, surge a sua sustentação em trabalhos
publicados no século passado (1980 e 1996), que não obstante qualidade e
pertinência, certamente foram planeados e escritos num contexto muito diferente
do atual.
Outro aspeto que constitui um ponto fraco deste vídeo, é ausência de fontes
atuais, com trabalho empírico recente que permita sustentar várias das
afirmações feitas, que não obstante serem bem acolhidas carecem desta robustez,
que trabalho empírico ofereceria.
Com alguma relação com o aspeto anterior, faltarão também dados e casos
concretos para melhor sustentar o conceito de transformação tecnológica que nos
é apresentado, ou seja, de forma continua e dinâmica. Sendo continua e
dinâmica, a forma como é apresentando não salienta estas caraterísticas.
Outro
aspeto que deveria estar mais bem aprofundado, e necessário para uma análise
holística da transformação digital no ensino superior, prende-se com os
desafios estruturais a esta transformação nas instituições de ensino superior,
como por exemplo a resistência à mudança e as desigualdades, diferentes caso a
caso, no acesso às tecnologias.
3. Conclusão
O
vídeo é muito interessante, como muitos aspetos positivos, que foram realçados
e que se constitui como um contributo relevante para melhor compreender o que é
e como se poderá operacional a transformação digital no ensino superior, nunca
afastando o fator humano do centro deste processo. Este aspeto é um alerta
muito relevante para a realidade atual, onde a tecnologia e toda a sua
envolvente têm um papel central e um poder enorme, para que quando se planeia
ensinar e aprender, este peso da tecnologia tem de recentrado pelo fator
humano.
O
vídeo apresenta uma ampla abordagem da transformação tecnologia no ensino
superior, mas para ter uma robustez diferente, requereria uma parte empírica
desenvolvida e atual bem como uma abordagem mais profundada aos
constrangimentos institucionais.
No entanto, e como síntese final, o vídeo é muito interessante na forma como
aborda a questão e é sem sombra de dúvidas uma boa base para investigações
futuras sobre a, necessária, transformação digital no ensino superior, muito
orientada para valores humanistas e pedagógicos.
Fontes do vídeo
Toffler,
A. (1980). The third wave. William Morrow
Castells, M. (1996). The rise of the network society. Blackwell Publishing.
Equipa
PI: Lara Ramos, Paula Coelho e Rui Silva
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