sexta-feira, 27 de março de 2026

 Diário de Bordo: Avaliação em Contextos de Elearning


Bem-vindos ao meu Diário de Bordo,

Tema 1: Estado da Arte da Avaliação em eLearning
Como tenho partilhado nas minhas intervenções, iniciei este mestrado com uma posição resistente e algo cética face à integração da tecnologia no ensino, essencialmente no ensino superior com o qual contacto profissionalmente. No entanto, este percurso tem-me levado, a passos curtos, a desenvolver uma melhor aceitação e um otimismo muito moderado, mantendo sempre uma postura prudente, crítica e com algumas reservas.

O trabalho prático que desenvolvemos neste tema ilustra perfeitamente a razão de ser deste meu posicionamento. Ao utilizarmos o NotebookLM para analisar o estado da arte da avaliação em eLearning, testámos a fidedignidade desta tecnologia. A IA conseguiu, de facto, sintetizar corretamente a atual transição da psicometria para a edumetria, destacando uma cultura focada na aprendizagem formativa, contínua e autêntica.

Contudo, ao cruzar esta síntese tecnológica com estudos científicos recentes (Heil & Ifenthaler, 2023; Tahir et al., 2025), as minhas reservas iniciais provaram-se fundamentadas e com sentido prático: a IA simplifica demasiado a realidade e sugere uma evolução linear para modelos puramente formativos, falhando redondamente ao não reconhecer a complexa coexistência das práticas formativas e sumativas reais. Mais ainda, a resposta da IA carece de fundamentação teórica robusta e aborda de forma leviana problemas estruturais graves, omitindo as reais desigualdades no acesso tecnológico e o impacto da avaliação nos estudantes mais vulneráveis.

Na prática, o trabalho neste tema, solidifica o meu atual otimismo moderado e cauteloso. A tecnologia revela-se uma ferramenta útil e promissora, mas justifica-se plenamente a minha postura crítica: ela nunca pode substituir a nossa capacidade analítica e humana. A avaliação em contextos digitais exige uma mediação intencional, cabendo-nos sempre a nós manter o controlo do processo, validar a informação de forma rigorosa e não ceder ao facilitismo das respostas "instantâneas" e simplificadas.

 

Referências bibliográficas:

Heil, J., & Ifenthaler, D. (2023). Online assessment in higher education: A systematic review. https://doi.org/10.24059/olj.v27i1.3398

Tahir, M. H. M., Saputra, S., Othman, S., Mohamad Shah, D. S., Sulaiman, S. H., Azhari, M. A., & Mohandas, E. S. (2025). Online assessment in higher education: A systematic literature review. https://doi.org/10.31893/multirev.2026024


terça-feira, 24 de março de 2026

De Correntes a Ecossistemas Complexos: Habitar a Educação Digital

A reflexão sobre os ecossistemas de educação digital levou-me, inicialmente, a compará-los a uma “corrente”, cuja força dependeria do elo mais fraco. Contudo, à luz das perspetivas ecológicas e educomunicacionais de Moreira (2025), reconheço que esta metáfora é muito redutora para compreender a complexidade dos contextos educativos contemporâneos.

Os atuais ecossistemas de aprendizagem configuram-se como redes sociotécnicas dinâmicas, marcadas pela interatividade, hibridismo e ubiquidade. Neles, o conhecimento não segue um percurso linear, mas emerge das interações entre sujeitos, tecnologias e contextos. Ainda assim, importa evitar novas simplificações ou até mesmo metáforas como a de “organismo vivo”, podem ocultar tensões, desigualdades e assimetrias presentes no digital.

Neste quadro, a tecnologia deixa de ser entendida como um mero instrumento neutro. Plataformas, algoritmos e sistemas de Inteligência Artificial participam na configuração das práticas educativas, ainda que a sua “agência” deva ser compreendida como mediada e distinta da humana. Assim, o foco desloca-se para as relações de interdependência entre atores humanos e não humanos.

Ser digitalmente competente implica, hoje, mais do que operar ferramentas, uma vez que exige a capacidade de habitar criticamente os ambientes digitais. para alcançar esta capacidade torna-se fundamental desenvolver a presença cognitiva (pensamento crítico), a relacional (empatia e construção de vínculos) e a interativa (participação e co-criação). Desta forma, as “pedagogias da presencialidade” remetem para uma presença significativa nas redes, e não apenas para a copresença física.

Também o papel do professor se transforma, passando a assumir funções de designer de aprendizagem e mediador ético, orientando os alunos para uma participação mais ativa, crítica e colaborativa. Importa, contudo, reconhecer que estes ecossistemas não são neutros nem universalmente acessíveis, sendo atravessados por desigualdades que exigem uma abordagem crítica.

Abandonar a metáfora da “corrente” implica repensar a educação digital como um sistema complexo, onde aprender não é apenas utilizar tecnologias, mas participar, interagir e construir conhecimento de forma situada.

E vocês, já abandonaram a mentalidade da “corrente” para começarem a habitar criticamente e a tecer as vossas próprias conexões nestes ecossistemas digitais?

Saudações digitais!

 

Referências bibliográficas:

Moreira, J. A. (2025). Novos Ecossistemas de Aprendizagem nos Territórios Híbridos da Noosfera. Santo Tirso: Whitebooks. http://hdl.handle.net/10400.2/20378

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