quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

 Reticularização e datificação dos processos educativos

Trabalho de Grupo

  

RECENSÃO CRÍTICA "Transforming the Future of Education through Advanced Technology"

Coordenação de Lara Ramos

 

Neste vídeo intitulado “Transformar o Futuro da Educação através de Tecnologia Avançada”, faz-se uma retrospetiva da evolução da Educação ao longo dos tempos, começando por recordar o modelo educativo inspirado na estrutura fabril da revolução industrial, massificado, padronizado e rotineiro, centrado na hegemonia do professor e dos livros como detentores do conhecimento, em que os métodos expositivos e de memorização eram a regra. Veicula-se a necessidade de uma “revolução industrial”, “na qual a ciência educativa e a criatividade da tecnologia educacional se combinam para modernizar os procedimentos grosseiramente ineficientes e desajeitados da educação convencional” (Sydney L. Pressa, 1924). Ao longo do vídeo, destaca-se o impacto das tecnologias digitais, desde o computador pessoal até à inteligência artificial (AI), realidade virtual (RV), terminando na Indústria 4.0. Veicula-se a necessidade de integrar a tecnologia de forma construtiva e positiva nos (novos) modelos de aprendizagem, colocando-se em evidência a obsolescência dos modelos tradicionais de ensino vitorianos, expositivos. A tecnologia, mais do que assustadora, segundo as palavras do vídeo, pode ser libertadora, facilitando aos professores a personalização dos modelos de ensino-aprendizagem, que devem ser repensados à luz da 4ª Revolução Industrial. O papel das competências digitais não está esquecido neste processo, mas, mais do que nunca, criatividade, colaboração, comunicação e pensamento crítico são essenciais para alavancar esta transição. O vídeo termina colocando em evidência o desafio das instituições estarem à altura da capacitação dos seus aprendentes para um mundo interconectado e em constante mudança.

 
Como pontos fortes deste vídeo, destaca-se a retrospetiva histórica e contextualizada, na qual se mostra a urgência de uma transição dos modelos tradicionais para os novos paradigmas educativos, que devem abraçar a integração da tecnologia. O vídeo incita-nos à mudança, ao fechar com uma pergunta provocadora: como vamos nós tirar partido deste mundo hiperligado, sendo ele já uma realidade? A diversidade de interlocutores, entre os quais professores, especialistas e estudantes, faz legitimar a argumentação sobre a urgência desta transformação. Salvaguardam-se as competências que nos diferenciam das máquinas – aquelas que não podem ser automatizadas, amplamente denominadas de “soft skills”. O pensamento crítico, a criatividade, a colaboração e a comunicação são o eixo central da Educação 4.0. Num discurso contínuo de otimismo, do início ao fim do vídeo, sublinha-se ainda como vantagem o aumento da taxa de retenção de conteúdos, por parte dos alunos emersos em ambientes de realidade virtual, reforçando o papel positivo das novas tecnologias.

 

Como pontos fracos, destacam-se várias questões deixadas em aberto, não se fazendo um contraponto desta mudança: não são mencionados os riscos associados à transformação das práticas educativas por via da tecnologia, como, por exemplo, a exclusão ou iliteracia digital, a dependência tecnológica, a perda de pensamento crítico e as questões éticas ligadas à AI. Não são também mencionados os desafios de implementação destes novos paradigmas educativos, nomeadamente a formação em competências digitais dos professores e dos próprios alunos, até às infraestruturas necessárias para a sua concretização; daí o risco de exclusão digital subjacente. Assim, não estão garantidas quer a universalidade de acesso, quer a universalidade de implementação de uma aprendizagem “personalizada”, tal como idealizada no vídeo. Fica a faltar uma reflexão mais aprofundada sobre o papel das organizações como espaço de socialização e construção coletiva dos saberes, que vão muito para além da aquisição de competências ligadas a uma profissão específica. Como se adquirem e desenvolvem então as “soft skills” que o vídeo menciona?

 

Em conclusão, o vídeo cumpre o objetivo de reflexão sobre a emergência da sociedade em rede e das tecnologias digitais e sobre como estas estão a transformar profundamente as práticas educativas e a função social da educação. Demonstra-se que a aprendizagem já não é feita como uma prática isolada, num modelo vertical (professor-aluno) e individualista: recupera-se a dimensão comunitária da aprendizagem, através dos ambientes colaborativos digitais e interconectados, nos quais o conhecimento é construído e partilhado em comunidade. Permite-se a personalização da aprendizagem, na qual cada estudante pode seguir o seu próprio ritmo, reforçando-se a ideia de “autoformação” – típica da sociedade em rede – por oposição à “heteroformação” – típica da sociedade analógica, pós-industrial. O transmissor passa a ser facilitador e a aprendizagem torna-se comunitária e dinâmica, apoiada (idealmente) em competências que não podem ser automatizadas. O papel do professor evolui para o de mediador, orientador e promotor de ambientes de aprendizagem flexíveis e inclusivos, respondendo aos desafios da sociedade em rede. Seria, no entanto, enriquecedor complementar esta tese com uma visão crítica dos desafios e limitações desta transição, relembrando a cautela necessária à garantia da universalidade do acesso a estas tecnologias e também dos riscos associados a estas “novas” formas de ensino-aprendizagem.

 Nota: Este vídeo é da autoria da Jisc - https://www.jisc.ac.uk/ , a agência digital do Reino Unido, uma organização sem fins lucrativos, para o ensino profissional e superior, investigação e inovação. 

Equipa PI: Lara Ramos, Paula Coelho e Rui Silva



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