Reticularização e datificação dos processos educativos
Trabalho de Grupo
RECENSÃO
CRÍTICA "Transforming the Future of Education through Advanced
Technology"
Coordenação
de Lara Ramos
Neste vídeo intitulado “Transformar o Futuro da Educação através de
Tecnologia Avançada”, faz-se uma retrospetiva da evolução da Educação
ao longo dos tempos, começando por recordar o modelo educativo inspirado na
estrutura fabril da revolução industrial, massificado, padronizado e rotineiro,
centrado na hegemonia do professor e dos livros como detentores do
conhecimento, em que os métodos expositivos e de memorização eram a regra.
Veicula-se a necessidade de uma “revolução industrial”, “na qual a ciência
educativa e a criatividade da tecnologia educacional se combinam para
modernizar os procedimentos grosseiramente ineficientes e desajeitados da
educação convencional” (Sydney L. Pressa, 1924). Ao longo do vídeo, destaca-se
o impacto das tecnologias digitais, desde o computador pessoal até à
inteligência artificial (AI), realidade virtual (RV), terminando na Indústria
4.0. Veicula-se a necessidade de integrar a tecnologia de forma construtiva e
positiva nos (novos) modelos de aprendizagem, colocando-se em evidência a
obsolescência dos modelos tradicionais de ensino vitorianos, expositivos. A tecnologia,
mais do que assustadora, segundo as palavras do vídeo, pode ser libertadora,
facilitando aos professores a personalização dos modelos de
ensino-aprendizagem, que devem ser repensados à luz da 4ª Revolução Industrial.
O papel das competências digitais não está esquecido neste processo, mas, mais
do que nunca, criatividade, colaboração, comunicação e pensamento crítico são
essenciais para alavancar esta transição. O vídeo termina colocando em
evidência o desafio das instituições estarem à altura da capacitação dos seus
aprendentes para um mundo interconectado e em constante mudança.
Como pontos fortes deste vídeo, destaca-se a retrospetiva
histórica e contextualizada, na qual se mostra a urgência de uma transição dos
modelos tradicionais para os novos paradigmas educativos, que devem abraçar a
integração da tecnologia. O vídeo incita-nos à mudança, ao fechar com uma
pergunta provocadora: como vamos nós tirar partido deste mundo hiperligado,
sendo ele já uma realidade? A diversidade de interlocutores, entre os quais
professores, especialistas e estudantes, faz legitimar a argumentação sobre a
urgência desta transformação. Salvaguardam-se as competências que nos
diferenciam das máquinas – aquelas que não podem ser automatizadas, amplamente
denominadas de “soft skills”. O pensamento crítico, a criatividade, a
colaboração e a comunicação são o eixo central da Educação 4.0. Num discurso
contínuo de otimismo, do início ao fim do vídeo, sublinha-se ainda como
vantagem o aumento da taxa de retenção de conteúdos, por parte dos alunos
emersos em ambientes de realidade virtual, reforçando o papel positivo das novas
tecnologias.
Como pontos
fracos, destacam-se várias questões deixadas em aberto, não se fazendo um
contraponto desta mudança: não são mencionados os riscos associados à
transformação das práticas educativas por via da tecnologia, como, por exemplo,
a exclusão ou iliteracia digital, a dependência tecnológica, a perda de
pensamento crítico e as questões éticas ligadas à AI. Não são também
mencionados os desafios de implementação destes novos paradigmas educativos,
nomeadamente a formação em competências digitais dos professores e dos próprios
alunos, até às infraestruturas necessárias para a sua concretização; daí o
risco de exclusão digital subjacente. Assim, não estão garantidas quer a
universalidade de acesso, quer a universalidade de implementação de uma
aprendizagem “personalizada”, tal como idealizada no vídeo. Fica a faltar uma
reflexão mais aprofundada sobre o papel das organizações como espaço de
socialização e construção coletiva dos saberes, que vão muito para além da
aquisição de competências ligadas a uma profissão específica. Como se adquirem
e desenvolvem então as “soft skills” que o vídeo menciona?
Em conclusão, o vídeo cumpre o objetivo de
reflexão sobre a emergência da sociedade em rede e das tecnologias digitais e
sobre como estas estão a transformar profundamente as práticas educativas e a
função social da educação. Demonstra-se que a aprendizagem já não é feita como
uma prática isolada, num modelo vertical (professor-aluno) e individualista:
recupera-se a dimensão comunitária da aprendizagem, através dos ambientes
colaborativos digitais e interconectados, nos quais o conhecimento é construído
e partilhado em comunidade. Permite-se a personalização da aprendizagem, na
qual cada estudante pode seguir o seu próprio ritmo, reforçando-se a ideia de
“autoformação” – típica da sociedade em rede – por oposição à “heteroformação”
– típica da sociedade analógica, pós-industrial. O transmissor passa a ser
facilitador e a aprendizagem torna-se comunitária e dinâmica, apoiada
(idealmente) em competências que não podem ser automatizadas. O papel do
professor evolui para o de mediador, orientador e promotor de ambientes de aprendizagem
flexíveis e inclusivos, respondendo aos desafios da sociedade em rede. Seria,
no entanto, enriquecedor complementar esta tese com uma visão crítica dos
desafios e limitações desta transição, relembrando a cautela necessária à
garantia da universalidade do acesso a estas tecnologias e também dos riscos
associados a estas “novas” formas de ensino-aprendizagem.
Nota: Este vídeo é da autoria da Jisc - https://www.jisc.ac.uk/ , a agência digital do Reino Unido, uma organização sem fins lucrativos, para o ensino profissional e superior, investigação e inovação.
Equipa PI: Lara Ramos,
Paula Coelho e Rui Silva
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