terça-feira, 24 de março de 2026

De Correntes a Ecossistemas Complexos: Habitar a Educação Digital

A reflexão sobre os ecossistemas de educação digital levou-me, inicialmente, a compará-los a uma “corrente”, cuja força dependeria do elo mais fraco. Contudo, à luz das perspetivas ecológicas e educomunicacionais de Moreira (2025), reconheço que esta metáfora é muito redutora para compreender a complexidade dos contextos educativos contemporâneos.

Os atuais ecossistemas de aprendizagem configuram-se como redes sociotécnicas dinâmicas, marcadas pela interatividade, hibridismo e ubiquidade. Neles, o conhecimento não segue um percurso linear, mas emerge das interações entre sujeitos, tecnologias e contextos. Ainda assim, importa evitar novas simplificações ou até mesmo metáforas como a de “organismo vivo”, podem ocultar tensões, desigualdades e assimetrias presentes no digital.

Neste quadro, a tecnologia deixa de ser entendida como um mero instrumento neutro. Plataformas, algoritmos e sistemas de Inteligência Artificial participam na configuração das práticas educativas, ainda que a sua “agência” deva ser compreendida como mediada e distinta da humana. Assim, o foco desloca-se para as relações de interdependência entre atores humanos e não humanos.

Ser digitalmente competente implica, hoje, mais do que operar ferramentas, uma vez que exige a capacidade de habitar criticamente os ambientes digitais. para alcançar esta capacidade torna-se fundamental desenvolver a presença cognitiva (pensamento crítico), a relacional (empatia e construção de vínculos) e a interativa (participação e co-criação). Desta forma, as “pedagogias da presencialidade” remetem para uma presença significativa nas redes, e não apenas para a copresença física.

Também o papel do professor se transforma, passando a assumir funções de designer de aprendizagem e mediador ético, orientando os alunos para uma participação mais ativa, crítica e colaborativa. Importa, contudo, reconhecer que estes ecossistemas não são neutros nem universalmente acessíveis, sendo atravessados por desigualdades que exigem uma abordagem crítica.

Abandonar a metáfora da “corrente” implica repensar a educação digital como um sistema complexo, onde aprender não é apenas utilizar tecnologias, mas participar, interagir e construir conhecimento de forma situada.

E vocês, já abandonaram a mentalidade da “corrente” para começarem a habitar criticamente e a tecer as vossas próprias conexões nestes ecossistemas digitais?

Saudações digitais!

 

Referências bibliográficas:

Moreira, J. A. (2025). Novos Ecossistemas de Aprendizagem nos Territórios Híbridos da Noosfera. Santo Tirso: Whitebooks. http://hdl.handle.net/10400.2/20378

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