Autenticidade,
transparência e confiança na era digital
Da resposta ao desafio
lançado pelo Professor António Teixeira sobre o impacto da era digital na transformação
da autenticidade, da transparência e da confiança nas relações humanas, resultou
um conjunto bem interessante de visões, nem sempre coincidentes, mas certamente
enriquecedoras. A mediação tecnológica promove uma alteração na forma como
percecionamos a realidade destas questões, com as suas caraterísticas essenciais
e bem presentes nas nossas vidas, marcadas pela rapidez, pela superficialidade
e por representações que nem sempre correspondem àquilo que somos pessoalmente.
A autenticidade pode ser ajustada e moldada pela lógica das plataformas e a
transparência parece estar sujeita a algoritmos e espaços de opacidade difíceis
de discernir.
Estas mudanças têm, claramente, um impacto direto na forma como percecionamos e construímos a confiança. A proximidade digital pode criar uma sensação de familiaridade, que pode não se traduzir em consistência ou profundidade nas relações. Um dos caminhos para melhor tentarmos entender estas questões sob o prisma da era digital, pode passar por redefinirmos o que entendemos por confiança quando no âmbito ou no contexto digital, uma vez que os sinais que utilizamos para fazer uma avaliação já não são os mesmos que nos habituamos a seguir em relações presenciais. O debate deixou, bem, claro que a tecnologia não elimina a possibilidade de relações autênticas, mas apenas nos obriga a reconsiderar quais são os critérios éticos e humanos que as sustentam. Fica o desafio que ainda hoje está em aberto, sobre a melhor forma de reconstruirmos a autenticidade e a confiança num contexto tão dinâmico e fragmentado, sem perder aquilo que nos torna plenamente humanos.
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